Vai dar crise?

Um palpite com conta sobre a próxima recessão brasileira.

Quinta, 29 de outubro de 2026, conta das 06h58

Como a conta funciona

O topo mostra quanto a chance de uma recessão começar nos próximos 12 meses (3T26 a 2T27) está acima ou abaixo do normal. Recessão aqui é técnica: dois trimestres seguidos de queda do PIB, na série do IBGE. O normal é 19,6%, a chance num ano comum pela história das recessões no Brasil (a âncora histórica). A conta de 29/10 dá 41,9%, ou 2,1× o normal. O que mudou no dia está no post de 29/10.

De onde vem o 2,1×

Do normal (19,6%) até a chance de hoje (41,9%), cada barra é quanto um indicador acrescenta ou tira, em pontos percentuais.

Barras vermelhas aumentam o risco; verdes reduzem. A conta é feita em log-odds e repartida em pontos com valores de Shapley, que somam exatamente a diferença. São os mesmos números da tabela de indicadores abaixo. Detalhes da conta.

A pressão das notícias

As notícias não mexem no número. Elas mostram para que lado o risco está sendo empurrado, tema a tema, antes de os dados confirmarem. Hoje, no conjunto, empurram para cima.

Mercado financeiro ↑ para cima

26/10

Bolsa cai 13,88% e dólar sobe 8,21% no dia seguinte à eleição presidencial

Foi o primeiro circuit breaker desde 2020, e a Bolsa perdeu 14% na semana. A queda do patrimônio e a alta do prêmio de risco encarecem o crédito e travam investimento e consumo, como na eleição de 2002.

Some da pressão até 09/01/2027.

Energia, safra e preços ↑ para cima

Atividade e emprego ↑ para cima

Crédito ↑ para cima

27/10

BC: 20,3 milhões de pessoas em endividamento de risco, 75% a mais em 5 anos

O lucro do Santander caiu 28% com as provisões contra calotes. Com a inadimplência em alta, os bancos emprestam menos às famílias, como em 2015-16. O BC afirma que a estabilidade financeira não está em risco.

Some da pressão até 10/01/2027.

28/10

Governo avalia cobrar IOF por decreto sobre LCI, LCA e outros títulos isentos

O imposto encarece o dinheiro que financia o crédito imobiliário e rural, como no aumento de IOF de 2025. Ainda é só proposta em avaliação.

Some da pressão até 11/01/2027.

Mundo → sem pressão clara

28/10

Fed mantém juros em 3,75%-4,00% ao ano, com dois votos por alta

Os votos por alta sinalizam juros americanos altos por mais tempo, o que pesa no fluxo de capital e no câmbio, como em 2022. A manutenção era esperada.

Some da pressão até 11/01/2027.

27/10

Banco Mundial prevê alta de 23% nas commodities em 2026, puxada pela energia

Energia cara pressiona inflação e juros, como em 2022. O governo prorrogou por 30 dias a subvenção de R$ 2,12 por litro ao diesel, que pesa nas contas públicas. Como exportador de petróleo, o país compensa parte do efeito.

Some da pressão até 10/01/2027.

Instituições → sem pressão clara

Contas públicas → sem pressão clara

28/10

TCU propõe alíquota de referência de 11,3% para a CBS em 2027

A transição tributária pode pressionar preços em 2027, e com eles os juros. A alíquota ainda depende do Senado.

Some da pressão até 11/01/2027.

27/10

Fazenda anuncia projeto de lei para cumprir o centro da meta fiscal

Uma meta fiscal crível baixa o prêmio de risco e os juros longos, como na aprovação do teto de gastos em 2016. Por enquanto é só anúncio, sem medidas detalhadas.

Some da pressão até 10/01/2027.

27/10 | Anúncio

Ministro da articulação política diz que ajuste fiscal não está em discussão

A fala contrasta com o projeto da Fazenda para cumprir a meta e pode elevar o prêmio de risco que pesa sobre juros e investimento. Resta ver o que o novo ministro da Fazenda vai propor.

Some da pressão até 10/01/2027.

Os indicadores

Sete sinais com pesos publicados antes de entrarem na conta. Cada um é comparado a um valor neutro e tem efeito máximo limitado. A coluna de pontos é a parte de cada um na chance de 12 meses.

IndicadorValorReferênciaPontos
Atividade (IBC-Br)
Média dos últimos 3 meses do IBC-Br dessazonalizado contra a média dos 3 meses anteriores. BCB, série 24364
−0,64 %ago/2026 +8,0
Juro real ex-ante
Selic meta descontada da inflação esperada para 12 meses (Focus, suavizada), comparada a um juro neutro de 5%. Hoje: Selic de 13,75% e inflação esperada de 4,53% (Focus de 23/10). BCB, série 432 e Focus
8,82 % a.a.29/10/2026 +5,4
Dívida pública
Variação da dívida bruta do governo geral em 12 meses. Hoje: 82,9% do PIB. BCB, série 13762
+5,56 p.p. do PIBago/2026 +3,2
Dívida das famílias
Comprometimento de renda das famílias com dívidas (dessazonalizado) menos a sua média dos últimos 36 meses. Hoje: 28,7% da renda. BCB, série 29034
+1,65 p.p.jul/2026 +2,9
Juro real longo (mercado)
Taxa do Tesouro IPCA+ com vencimento mais perto de 10 anos (Tesouro Direto, venda pela manhã) menos a sua mediana nos 3 anos anteriores. Hoje: taxa de 8,02% ao ano acima da inflação, contra a mediana de 7,38% nos 3 anos anteriores (Tesouro IPCA+ 2035). Tesouro Direto, Tesouro IPCA+
+0,64 p.p.27/10/2026 +2,8
Desemprego (regra de Sahm adaptada)
Média de 3 meses da desocupação da PNAD menos o menor valor dessa média nos 12 meses anteriores. IBGE/BCB, série 24369
+0,10 p.p.ago/2026 −1,1
Câmbio
Variação do dólar PTAX em cerca de 3 meses (63 dias úteis). Hoje: R$ 5,34. BCB, série 1 (PTAX)
+4,30 %28/10/2026 +1,1

Os dois lados

Os melhores argumentos de cada lado que as notícias sustentam, escritos para convencer quem pensa diferente. Atualizados em 29/10/2026.

Por mais crise

  1. O mercado segue em estresse: o Ibovespa perde quase 17% desde a eleição, estrangeiros sacaram R$ 2,8 bilhões num só dia e os juros longos sobem, o que encarece o investimento.
    Valor, Folha, Valor
  2. Enquanto o governo diz que ajuste fiscal não é prioridade, o nome da Fazenda segue indefinido e analistas esperam meses de tensão fiscal.
    Folha, Folha, Folha
  3. A demanda doméstica perde força: a intenção de consumo cai pelo terceiro mês, as empresas recorrem a recebíveis por crédito caro e o varejo passa por uma onda de recuperações judiciais.
    Gazeta do Povo, Estadão, Folha
  4. Os custos sobem por várias frentes ao mesmo tempo: CBS de 11,3% acima do previsto, ICMS maior nos combustíveis em 2027 e petróleo em alta.
    Folha, Valor, Valor

Por menos crise

  1. O dólar fechou em leve queda a R$ 5,34 e o fluxo cambial teve entrada de US$ 3,5 bilhões na semana até 23 de outubro, sem sinal de fuga desordenada de capital.
    Poder360, Valor, Valor
  2. Analistas avaliam que o mercado já virou a página da eleição, e a carta golpista não teve efeito sobre os preços.
    Estadão, Valor
  3. O Tesouro está autorizado a recomprar títulos e o BC promete atuar se o câmbio ficar disfuncional, o que limita o risco de um choque financeiro.
    Folha, Folha

O próximo gatilho

O IBGE divulga o PIB do 3º trimestre de 2026 em 2 de dezembro. Com tudo mais igual, o risco vai para:

Um trimestre negativo já é metade de uma recessão técnica. Se vier positivo, a janela anda um trimestre e o risco quase não muda.

Histórico e placar

Cada atualização fica gravada e nunca é recalculada. Quem avalia o site são as previsões de 12 meses, que vencem uma a uma.

0×1×2×3×4×5×29/10/202628/11/2026
Risco de 12 meses, em vezes o normal1× = normal

Previsões de 12 meses registradas

Registrada emRecessão começando entreProbabilidadeVenceResultado
29/10/20263T26 e 2T2742%quando o IBGE divulgar o 3T27em aberto

O que diz o mercado

Mediana do Boletim Focus para o crescimento do PIB. Essa previsão aparece só como comparação e não entra na conta.

20262027202820292030
1,80%1,31%1,81%2,00%2,00%

Fonte: Banco Central, Focus, dados de 23/10/2026. O Focus não previu a recessão de 2015: em janeiro daquele ano, a mediana era de crescimento.

E até 2030?

A mesma conta, estendida até o 4º trimestre de 2030, dá 73% de chance de pelo menos uma recessão técnica até lá. Conforme o método usado para a âncora histórica, fica entre 67% e 78%. A resposta sai em 2031, com a série do PIB vigente em março daquele ano, pela regra da metodologia.