Vai dar crise?

Probabilidade de recessão no Brasil até 2030

Vai dar crise?

78%

Em 100 Brasis como este, 78 entram em recessão até o fim de 2030.

50%de chance de a recessão começar nos próximos 4 trimestres (3T26 a 2T27)
62%é o que a história brasileira dá sozinha, antes de qualquer dado ou notícia
+0,9pontos desde a atualização anterior (77,0 → 77,9)
Atualizado em · modelo v1.0

O que mudou desde a última atualização

De 77,0 para 77,9 (+0,9 pontos). Cada barra é a contribuição exata de um fator, calculada com valores de Shapley; elas somam a variação inteira.

Por que 78

A história brasileira sozinha dá 62. Os indicadores econômicos somam +11,5 pontos e as notícias, +4,6. Indicadores e notícias só mexem no risco dos próximos trimestres; depois do 6º trimestre vale de novo a taxa histórica, e por isso a nota se move devagar.

Barras vermelhas aumentam o risco; verdes reduzem. A conta é feita em log-odds e repartida em pontos com valores de Shapley. Como a conta funciona.

As notícias que movem a nota

Cada notícia vira um evento com canal, direção e tamanho. Nenhum evento move o risco de curto prazo mais que 0,2 em log-odds, e o efeito some em 75 dias.

Mercado 26/10/2026

Bolsa cai 13,88% e dólar sobe 8,21% no dia seguinte à eleição presidencial, com primeiro circuit breaker desde 2020 e perda de 14% na semana

+2,7

Aumenta o risco porque a queda do patrimônio e a alta do prêmio de risco pioram as condições financeiras, o investimento e o consumo, pelo canal de mercado. O precedente é a eleição de 2002, quando o choque de confiança encareceu o crédito e freou a atividade.

Sem esta notícia, a nota seria 74,8. O efeito some até 09/01/2027.

Fiscal 28/10/2026

TCU propõe alíquota de referência de 11,3% para a CBS em 2027; mercado avalia impacto inflacionário da reforma tributária

+0,5

Aumenta levemente o risco porque a transição tributária pode pressionar preços em 2027, pelo canal de inflação e juros, como em reformas de IVA em outros países. Valor ainda depende do Senado.

Sem esta notícia, a nota seria 77,3. O efeito some até 11/01/2027.

Fiscal 27/10/2026

Fazenda anuncia projeto de lei para cumprir o centro da meta fiscal e reafirma o centro da meta de inflação

−0,5

Reduz o risco se as medidas forem aprovadas, porque uma âncora fiscal crível diminui o prêmio de risco e os juros longos, pelo canal fiscal, como na aprovação do teto de gastos em 2016. Por enquanto é só anúncio, sem medidas detalhadas.

Sem esta notícia, a nota seria 78,6. O efeito some até 10/01/2027.

Crédito 27/10/2026

BC: 20,3 milhões de pessoas em endividamento de risco (+75% em 5 anos); grande banco tem lucro 28% menor por causa das provisões contra calotes

+0,5

Aumenta o risco porque a inadimplência crescente faz os bancos subirem provisões e restringirem o crédito, pelo canal de crédito às famílias, como em 2015-16. O BC afirma que a estabilidade financeira não está em risco.

Sem esta notícia, a nota seria 77,3. O efeito some até 10/01/2027.

Oferta 27/10/2026

Um El Niño forte pode reduzir a safra de soja 2026/27 em cerca de 10% (perda de R$ 33 bilhões); alimentos ficam 2,40% mais caros nas fábricas

+0,5

Aumenta o risco porque uma quebra de safra derruba o PIB agro no 1º e no 2º trimestres e pressiona a inflação de alimentos, pelo canal de oferta, como no El Niño de 2015-16. O efeito depende da intensidade do fenômeno.

Sem esta notícia, a nota seria 77,3. O efeito some até 10/01/2027.

Atividade 28/10/2026

Confiança da indústria cai pelo terceiro mês seguido em outubro, com piora da avaliação da situação atual

Aumenta o risco porque a confiança em queda antecipa cortes de produção e de investimento, pelo canal de atividade, como nas quedas de confiança de 2014. A pesquisa foi feita antes do choque de mercado pós-eleição.

Sem esta notícia, a nota seria 77,6. Só um veículo noticiou, então vale metade. O efeito some até 11/01/2027.

Crédito 28/10/2026

Governo avalia cobrar IOF por decreto sobre LCI, LCA e outros títulos isentos

Aumenta o risco porque encarece o funding do crédito imobiliário e rural, pelo canal de crédito, como no aumento de IOF de 2025. Ainda é só proposta em avaliação.

Sem esta notícia, a nota seria 77,6. Só um veículo noticiou, então vale metade. O efeito some até 11/01/2027.

Externo 27/10/2026

Banco Mundial prevê alta de 23% nas commodities em 2026, puxada pela energia; governo prorroga por 30 dias a subvenção de R$ 2,12/litro ao diesel

Aumenta o risco porque a energia cara pressiona a inflação e os juros, e o subsídio renovado pesa nas contas públicas, pelo canal externo e fiscal, como em 2022. Como exportador de petróleo, o país compensa parte do efeito nos termos de troca.

Sem esta notícia, a nota seria 77,6. O mercado já esperava isso, então vale metade. O efeito some até 10/01/2027.

Institucional 27/10/2026

Indefinição sobre o comando do Ministério da Fazenda no novo mandato; mercado cobra nome e regra fiscal crível

Aumenta o risco porque a demora em definir a política fiscal mantém o prêmio de risco elevado, pelo canal de expectativas e juros longos, como na transição de 2022 para 2023.

Sem esta notícia, a nota seria 77,6. O mercado já esperava isso, então vale metade. O efeito some até 10/01/2027.

Mercado 27/10/2026

Tesouro anuncia recompra de NTN-B com vencimentos de 2030 a 2045 para conter oscilações

Reduz o risco porque limita disfuncionalidade nos juros longos, pelo canal de liquidez do mercado de títulos, como nas recompras do Tesouro em março de 2020.

Sem esta notícia, a nota seria 78,2. Só um veículo noticiou, então vale metade. O efeito some até 10/01/2027.

Os indicadores

Seis sinais com pesos publicados antes da primeira nota. Cada um é comparado a um valor neutro e tem efeito máximo limitado.

IndicadorValorReferênciaEfeito
Atividade (IBC-Br)
Média dos últimos 3 meses do IBC-Br dessazonalizado contra a média dos 3 meses anteriores. BCB, série 24364
−0,64 %ago/2026 +4,8
Juro real ex-ante
Selic meta descontada da inflação esperada para 12 meses (Focus, suavizada), comparada a um juro neutro de 5%. Hoje: Selic de 13,75% e inflação esperada de 4,53% (Focus de 23/10). BCB, série 432 e Focus
8,82 % a.a.28/10/2026 +3,2
Dívida pública
Variação da dívida bruta do governo geral em 12 meses. Hoje: 82,9% do PIB. BCB, série 13762
+5,56 p.p. do PIBago/2026 +1,9
Dívida das famílias
Comprometimento de renda das famílias com dívidas (dessazonalizado) menos a sua média dos últimos 36 meses. Hoje: 28,7% da renda. BCB, série 29034
+1,65 p.p.jul/2026 +1,7
Câmbio
Variação do dólar PTAX em cerca de 3 meses (63 dias úteis). Hoje: R$ 5,33. BCB, série 1 (PTAX)
+4,24 %27/10/2026 +0,7
Desemprego (regra de Sahm adaptada)
Média de 3 meses da desocupação da PNAD menos o menor valor dessa média nos 12 meses anteriores. IBGE/BCB, série 24369
+0,10 p.p.ago/2026 −0,6

Os dois lados

Os três melhores argumentos de cada lado, escritos para convencer quem pensa diferente. Atualizados em 28/10/2026.

O caso por mais crise

  1. O choque pós-eleitoral não se dissipou: a bolsa perdeu 14% na semana e os juros futuros seguem subindo, o que aperta as condições financeiras justo quando o IBC-Br já recua.
    g1, Valor, Valor
  2. O crédito às famílias está fragilizado: 20,3 milhões em endividamento de risco e bancos com lucro em queda por provisões tendem a cortar crédito, travando o consumo.
    Folha, Folha, Valor
  3. Choques de oferta se somam: petróleo caro já cancela voos de 2027, commodities devem subir 23% e um El Niño forte ameaça a safra, pressionando inflação e mantendo juro real alto.
    Valor, Valor, g1

O caso por menos crise

  1. A Fazenda anunciou projeto de lei para cumprir o centro da meta fiscal e reafirmou a meta de inflação, uma âncora que pode reverter parte do prêmio de risco.
    g1, Agência Brasil
  2. Tesouro e mercado já mostram acomodação: houve recompra de NTN-B para conter oscilações e o dólar recuou quase 1% após o choque inicial.
    Agência Brasil, Agência Brasil
  3. O BC afirma não ver risco relevante para a estabilidade financeira, apesar da piora do crédito das famílias, o que reduz a chance de uma crise bancária amplificar a desaceleração.
    Agência Brasil

O próximo gatilho

O IBGE divulga o PIB do 3T26 em 2 de dezembro de 2026. Com tudo mais igual, a nota vai para:

94%se o PIB do 3T26 vier negativo
77%se o PIB do 3T26 vier zero ou positivo

Um trimestre negativo já é metade de uma recessão técnica. Se vier positivo, a janela perde um trimestre e a nota cai um pouco por efeito do tempo.

A régua: quanto da nota é escolha

A maior escolha do modelo é o período histórico de referência. Usamos um risco de 5,5% por trimestre, a média de 1995–2026 e 2004–2026. Quem discorda pode refazer a conta:

Período de referênciaSó a históriaCom dados e notícias de hoje
2004–2026 sem a pandemia (para quem acha que o Brasil mudou depois de 2004)37%52%
Média usada pelo site62%78%
1980–2026 (para quem acha que não mudou)73%87%

Base: datação de recessões do CODACE/FGV IBRE. Detalhes na metodologia.

Histórico e placar

Cada atualização fica gravada e nunca é recalculada. A pergunta de 2030 só se resolve em 2031; até lá, quem avalia o site são as previsões de 12 meses, que vencem uma a uma.

025507510028/10/202627/11/2026
Até 2030Próximos 4 trimestres

Previsões de 12 meses registradas

Registrada emRecessão começando entreProbabilidadeVenceResultado
28/10/20263T26 e 2T2748%quando o IBGE divulgar o 3T27em aberto

O que diz o mercado

Mediana do Boletim Focus para o crescimento do PIB. O Focus é exibido como comparação e não entra na conta.

20262027202820292030
1,80%1,31%1,81%2,00%2,00%

Fonte: Banco Central, Focus, dados de 23/10/2026. O Focus não previu a recessão de 2015: em janeiro daquele ano, a mediana era de crescimento.