Vai dar crise?

Metodologia v1.1

Pré-registrada em 28 de outubro de 2026, antes da primeira nota, e revisada na v1.1 (veja Versões). Os parâmetros estão em config/modelo.json, e cada atualização grava o hash desse arquivo. Mudança de regra ou de peso só acontece com nova versão e nota explicando o efeito.

O que a nota mede

A nota é a probabilidade, de 0 a 100, de esta pergunta ter resposta "sim":

O PIB do Brasil terá dois trimestres seguidos de queda entre o 3º trimestre de 2026 e o 4º trimestre de 2030?

O nome do site fala em crise; a métrica é recessão técnica. "Vai dar crise?" é a pergunta de bar; a resposta é uma probabilidade com regra escrita antes.

Como ler a nota. 50 significa cara ou coroa, não "risco médio". A nota 70 quer dizer que, em 100 Brasis com os dados de hoje, 70 entrariam em recessão até o fim de 2030.

Taxa-base

Antes de olhar qualquer dado ou notícia, a história já diz muito. O CODACE datou 10 recessões desde 1980. Dividindo os inícios de recessão pelos trimestres em expansão, o resultado depende de onde a conta começa:

Período de referência Risco por trimestre Até o 4T30 (17 inícios possíveis)
1980–2026 (10 recessões) 7,5% 73%
1995–2026, pós-Real (7) 7,1% 71%
2T99–2026, metas de inflação e câmbio flutuante (5) 5,6% 63%
2004–2026 (3) 4,0% 50%

Escolher uma linha dessa tabela é escolher a nota. Por isso, desde a v1.1, o site não escolhe: a âncora é a mediana de nove métodos, e cada um tem uma regra fixa para decidir quanto o passado pesa.

Método Risco por trimestre Até o 4T30
Desde 2T99: metas de inflação e câmbio flutuante 5,62% 63%
Desde 1T00: com a Lei de Responsabilidade Fiscal 5,81% 64%
1980 em diante, peso cai à metade a cada 10 anos 4,89% 57%
1980 em diante, peso cai à metade a cada 15 anos 5,68% 63%
1980 em diante, peso cai à metade a cada 20 anos 6,12% 66%
Média das janelas iniciadas entre 1T95 e 4T12 5,06% 59%
Quebra estrutural em data desconhecida (bayesiano) 5,28% 60%
Brasil desde 2T99 + 8 emergentes, peso de 10 anos 4,92% 58%
Brasil desde 2T99 + 8 emergentes, peso de 25 anos 4,43% 54%
Mediana, usada pelo site 5,3% 60%

Os nove métodos vão de 54% a 66%, e a página inicial mostra essa faixa ao lado da nota. Qualquer pessoa refaz a conta com src/taxa_base.py e a cronologia em data/cronologia.json.

O que ficou de fora.

Conferência com o IBGE. A pergunta se resolve pela regra técnica do IBGE, mas a taxa-base usa a datação do CODACE. Em 28/10/2026, recontamos a série atual da tabela 5932 (2T96 a 2T26). Todo episódio de dois trimestres seguidos de queda cai dentro de uma recessão do CODACE, e nenhum fica de fora. 2021 não conta: na série revisada, a queda do 2T21 (−0,7%) ficou isolada. Quando quedas separadas por um único trimestre de alta contam como um episódio só (2014–16 teve três), os riscos coincidem com os do CODACE: 5,6% por trimestre desde 2T99 e 4,0% desde 2004. Contar cada recaída como recessão nova daria 7,7% desde 2T99, mas a nota pergunta pela primeira recessão, não pelas recaídas.

Um início de recessão no trimestre t exige que t e t+1 estejam na janela, então há 17 inícios possíveis (3T26 a 3T30). Com 5,3% por trimestre, a chance só pela história é 1 − 0,947¹⁷ ≈ 60%.

A conta

O modelo soma três camadas na escala de log-odds (logit), o que torna cada contribuição exata e aditiva.

logit(h_t) = logit(h0) + w_t × (I + N) P(recessão até 4T30) = 1 − Π (1 − h_t)

Ninguém prevê recessão a quatro anos com dados de hoje: os melhores métodos acertam de 6 a 18 meses. Por isso indicadores e notícias mexem só no risco dos próximos trimestres, e a nota até 2030 se move devagar.

Nota por horizonte. A página monta a nota em três parcelas que somam exatamente a nota:

  1. História até o horizonte: a chance de a recessão começar até o último trimestre em que dados e notícias ainda pesam (hoje, o fim de 2027), só com a taxa-base.
  2. Dados e notícias: o que indicadores e notícias acrescentam a essa mesma chance.
  3. História depois: o que o resto da janela (hoje, 2028–2030) acrescenta só com a taxa-base, entre os Brasis que chegam lá sem recessão.

A terceira parcela encolhe quando a segunda cresce, porque uma recessão até 2027 já resolve a pergunta e não pode ser contada de novo. Na nota de 28/10/2026 às 15h24 (79), as parcelas eram 28 + 34 + 17, e só pela história seriam 28 + 32 = 60. Os dados de hoje somavam 34 pontos até 2027 e tiravam 15 de depois, e a nota ficava 19 acima da história.

Trimestres divulgados. Quando o IBGE divulga um trimestre, ele sai da janela (efeito tempo). Se dois trimestres seguidos vierem negativos, a pergunta está resolvida e a nota vai a 100. Se o último trimestre divulgado vier negativo, a chance de o seguinte também cair parte de 50% (parâmetro por julgamento, a calibrar com a série do IBGE) e recebe o mesmo deslocamento de curto prazo.

Decomposição. A conversão de log-odds para probabilidade não é linear, então a repartição em pontos usa valores de Shapley exatos: cada fator recebe a sua contribuição média sobre todas as ordens possíveis, e a soma bate exatamente com o total repartido. Na seção "Por que", os fatores repartem a parcela de dados e notícias; a tabela de indicadores e os cartões de notícia mostram esses mesmos pontos. Em "O que mudou", os fatores repartem a variação da nota entre duas atualizações. Com mais de 12 fatores, as notícias menores são agrupadas em "outras notícias". Os números exibidos são arredondados de modo que as parcelas somem o total exibido.

Indicadores

Seis sinais, cada um com valor neutro, inclinação e efeito máximo, publicados antes da primeira nota. Os pesos são de julgamento, com encolhimento de 25% na soma para não contar duas vezes sinais correlacionados (juros, câmbio e dívida andam juntos), e teto de 1,2 em log-odds para a camada inteira.

Indicador Definição Neutro Efeito por unidade Faixa do efeito
Atividade IBC-Br dessazonalizado, média de 3 meses contra os 3 anteriores (BCB 24364) +0,5% −0,40 por p.p. −0,30 a +0,60
Desemprego Regra de Sahm adaptada: média de 3 meses da desocupação da PNAD menos o mínimo dessa média nos 12 meses anteriores (BCB 24369) 0,15 p.p. +1,20 por p.p. −0,20 a +0,70
Juro real ex-ante Selic meta (BCB 432) descontada da inflação esperada para 12 meses (Focus) 5% +0,08 por p.p. −0,20 a +0,40
Dívida das famílias Comprometimento de renda com dívidas (BCB 29034) menos a média de 36 meses 0 +0,10 por p.p. −0,15 a +0,30
Dívida pública Variação da dívida bruta do governo geral em 12 meses (BCB 13762) +1 p.p. do PIB +0,04 por p.p. −0,10 a +0,25
Câmbio Variação do dólar PTAX em 63 dias úteis (BCB 1) 0% +0,015 por p.p. −0,10 a +0,25

Ficaram de fora no MVP, por falta de fonte gratuita estável: inclinação da curva de juros (B3), incerteza (FGV IBRE), CDS e indicador antecedente composto. A curva de juros, a mais citada na literatura, quase não tem poder preditivo em emergentes e não foi robusta no Brasil em 2005–2023.

Notícias

Um modelo de linguagem (Claude, chamado sem ferramentas e com saída em esquema JSON validado por código) lê as manchetes do dia de oito veículos com linhas editoriais diferentes: Agência Brasil, Folha, Estadão, Valor, InfoMoney, Poder360, Gazeta do Povo e g1. Ele transforma os fatos relevantes em eventos estruturados; a conta é feita por código.

Regra Valor
Efeito por tamanho do fato (1, 2, 3) 0,04, 0,12 e 0,20 em log-odds
Fato que o mercado já esperava vale metade
Fato noticiado por um só veículo vale metade
Teto por evento 0,2 em log-odds
Teto da camada de notícias 0,6 em log-odds
Prazo de validade o efeito cai em linha reta até zero em 75 dias
Notícia que só relata um dado já medido não conta (evita dupla contagem)

O LLM extrai e narra; não prevê. Ele não vê os pesos, não escolhe a direção da nota e não edita o site. O texto das notícias é tratado como dado, nunca como instrução, e nenhuma notícia pode alterar pesos ou regras. A linguagem dos eventos descreve políticas e números, não pessoas ou partidos.

Cada atualização guarda o prompt (hash), o modelo usado e a resposta bruta. Respostas antigas nunca são recalculadas: o que foi publicado fica congelado.

Salvaguardas

O que ainda falta (fase 2)

Se o backtest não bater a taxa-base, o site vai dizer isso em público, e a nota passa a ser só taxa-base mais notícias explicadas.

Onde erramos

Erros são listados aqui com data, o que estava errado e o efeito na nota.

Data O que estava errado Efeito na nota
28/10/2026 A segunda atualização deu a quatro eventos novos os mesmos códigos de eventos antigos, o que embaralhou a explicação da variação. Os eventos foram renumerados e a decomposição refeita no mesmo dia. Nenhum: a nota (77,9) não mudou, só a repartição dos pontos.

Achou um? Abra uma issue.

Versões

Toda mudança de regra ou de peso ganha uma versão nova. Na atualização em que ela entra, o gráfico da variação mostra uma barra "Nova metodologia": a nota anterior refeita com a regra nova. Essa barra não conta para o disjuntor.

Versão Decidida em O que mudou Efeito na nota
1.0 28/10/2026 Primeira versão. Taxa-base de 5,5% por trimestre, a média das janelas 1995–2026 e 2004–2026. —
1.1 28/10/2026 Taxa-base passa a ser a mediana de nove métodos (5,3%), com a faixa publicada. A página separa a nota por horizonte. −1,2 ponto com os dados de 28/10 (77,9 → 76,7)

A v1.0 escolhia duas datas de início por julgamento, e cada data dava uma nota diferente. A v1.1 troca a escolha por uma regra que qualquer pessoa pode refazer.

Fontes