Vai dar crise?

Um palpite com conta sobre a próxima recessão brasileira.

Quarta, 28 de outubro de 2026, conta das 15h24

Como a conta funciona

O topo mostra quanto a chance de uma recessão começar nos próximos 12 meses (3T26 a 2T27) está acima ou abaixo do normal. Recessão aqui é técnica: dois trimestres seguidos de queda do PIB, na série do IBGE. O normal é 19,6%, a chance num ano comum pela história das recessões no Brasil (a âncora histórica). A conta de 28/10 dá 52,9%, ou 2,7× o normal. O que mudou no dia está no post de 28/10.

De onde vem o 2,7×

Do normal (19,6%) até a chance de hoje (52,9%), cada barra é quanto um indicador ou uma notícia acrescenta ou tira, em pontos percentuais. Os indicadores somam +21,2 e as notícias, +12,1.

Barras vermelhas aumentam o risco; verdes reduzem. A conta é feita em log-odds e repartida em pontos com valores de Shapley, que somam exatamente a diferença. São os mesmos números da lista de notícias e da tabela de indicadores abaixo. Detalhes da conta.

O que mudou desde a atualização anterior

A chance de 12 meses foi de 49,7% para 52,9% (+3,2 pontos), e o multiplicador, de 2,5× para 2,7×. Nesta atualização a metodologia mudou de v1.0 para v1.1; a barra "Nova metodologia" é a conta anterior refeita com a regra nova, e o motivo está na metodologia.

As notícias que valem agora

Cada notícia vira um evento com canal, direção, tamanho e estágio. O estágio pesa na conta:

Nenhum evento passa de 0,2 em log-odds, e o efeito some em 75 dias. O número ao lado é a parte dela na chance de 12 meses, em pontos. Notícias de antes de 29/10/2026 foram contadas sem estágio, pela regra da época.

26/10/2026 | Mercado

Bolsa cai 13,88% e dólar sobe 8,21% no dia seguinte à eleição presidencial, com primeiro circuit breaker desde 2020 e perda de 14% na semana

+5,0

Aumenta o risco porque a queda do patrimônio e a alta do prêmio de risco pioram as condições financeiras, o investimento e o consumo, pelo canal de mercado. O precedente é a eleição de 2002, quando o choque de confiança encareceu o crédito e freou a atividade.

O efeito some até 09/01/2027.

28/10/2026 | Fiscal

TCU propõe alíquota de referência de 11,3% para a CBS em 2027; mercado avalia impacto inflacionário da reforma tributária

+1,0

Aumenta levemente o risco porque a transição tributária pode pressionar preços em 2027, pelo canal de inflação e juros, como em reformas de IVA em outros países. Valor ainda depende do Senado.

O efeito some até 11/01/2027.

28/10/2026 | Atividade

CNI reduz projeção de crescimento do PIB de 2026 de 2% para 1,6% e projeta inflação de 5,15% e dívida/PIB de 83,7%

+1,0

Aumenta o risco porque a revisão indica perda de ritmo da atividade com inflação e dívida mais altas, pelo canal de atividade e fiscal, como nas revisões sucessivas de 2014.

O efeito some até 11/01/2027.

28/10/2026 | Oferta

Estados aprovam aumento do ICMS sobre gasolina, diesel e gás a partir de fevereiro de 2027; diesel e biodiesel com alta de 11,1%

+1,0

Aumenta o risco porque eleva o custo de combustíveis e frete, pressionando inflação e juros, pelo canal de oferta, como no choque do diesel de 2018.

O efeito some até 11/01/2027.

27/10/2026 | Fiscal

Fazenda anuncia projeto de lei para cumprir o centro da meta fiscal e reafirma o centro da meta de inflação

−1,0

Reduz o risco se as medidas forem aprovadas, porque uma âncora fiscal crível diminui o prêmio de risco e os juros longos, pelo canal fiscal, como na aprovação do teto de gastos em 2016. Por enquanto é só anúncio, sem medidas detalhadas.

O efeito some até 10/01/2027.

27/10/2026 | Crédito

BC: 20,3 milhões de pessoas em endividamento de risco (+75% em 5 anos); grande banco tem lucro 28% menor por causa das provisões contra calotes

Aumenta o risco porque a inadimplência crescente faz os bancos subirem provisões e restringirem o crédito, pelo canal de crédito às famílias, como em 2015-16. O BC afirma que a estabilidade financeira não está em risco.

Entra em "Outras notícias" na cascata. O efeito some até 10/01/2027.

27/10/2026 | Oferta

Um El Niño forte pode reduzir a safra de soja 2026/27 em cerca de 10% (perda de R$ 33 bilhões); alimentos ficam 2,40% mais caros nas fábricas

Aumenta o risco porque uma quebra de safra derruba o PIB agro no 1º e no 2º trimestres e pressiona a inflação de alimentos, pelo canal de oferta, como no El Niño de 2015-16. O efeito depende da intensidade do fenômeno.

Entra em "Outras notícias" na cascata. O efeito some até 10/01/2027.

28/10/2026 | Atividade

Confiança da indústria cai pelo terceiro mês seguido em outubro, com piora da avaliação da situação atual

Aumenta o risco porque a confiança em queda antecipa cortes de produção e de investimento, pelo canal de atividade, como nas quedas de confiança de 2014. A pesquisa foi feita antes do choque de mercado pós-eleição.

Entra em "Outras notícias" na cascata. Só um veículo noticiou, então vale metade. O efeito some até 11/01/2027.

28/10/2026 | Crédito

Governo avalia cobrar IOF por decreto sobre LCI, LCA e outros títulos isentos

Aumenta o risco porque encarece o funding do crédito imobiliário e rural, pelo canal de crédito, como no aumento de IOF de 2025. Ainda é só proposta em avaliação.

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28/10/2026 | Atividade

Vendas de máquinas e equipamentos acumulam queda de 13,4% no ano até setembro, com juros altos e concorrência de importados

Aumenta o risco porque a queda nas vendas de bens de capital antecipa investimento menor, pelo canal de atividade, como na contração do investimento em 2014-2015.

Entra em "Outras notícias" na cascata. Só um veículo noticiou, então vale metade. O efeito some até 11/01/2027.

28/10/2026 | Crédito

Grande banco eleva taxa mínima do crédito imobiliário de 11,69% para 15% ao ano

Aumenta o risco porque encarece e freia novas contratações de financiamento habitacional, pelo canal de crédito e construção civil, como no recuo do crédito imobiliário em 2015.

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28/10/2026 | Externo

Fed mantém juros em 3,75%-4,00% ao ano, com dois votos divergentes a favor de alta de 0,25 ponto

Aumenta levemente o risco porque os votos por alta sinalizam juros americanos altos por mais tempo, pelo canal de fluxo de capital e câmbio, como no aperto do Fed de 2022. A manutenção era esperada.

Entra em "Outras notícias" na cascata. O mercado já esperava isso, então vale metade. O efeito some até 11/01/2027.

27/10/2026 | Externo

Banco Mundial prevê alta de 23% nas commodities em 2026, puxada pela energia; governo prorroga por 30 dias a subvenção de R$ 2,12/litro ao diesel

Aumenta o risco porque a energia cara pressiona a inflação e os juros, e o subsídio renovado pesa nas contas públicas, pelo canal externo e fiscal, como em 2022. Como exportador de petróleo, o país compensa parte do efeito nos termos de troca.

Entra em "Outras notícias" na cascata. O mercado já esperava isso, então vale metade. O efeito some até 10/01/2027.

27/10/2026 | Institucional

Indefinição sobre o comando do Ministério da Fazenda no novo mandato; mercado cobra nome e regra fiscal crível

Aumenta o risco porque a demora em definir a política fiscal mantém o prêmio de risco elevado, pelo canal de expectativas e juros longos, como na transição de 2022 para 2023.

Entra em "Outras notícias" na cascata. O mercado já esperava isso, então vale metade. O efeito some até 10/01/2027.

27/10/2026 | Mercado

Tesouro anuncia recompra de NTN-B com vencimentos de 2030 a 2045 para conter oscilações

Reduz o risco porque limita disfuncionalidade nos juros longos, pelo canal de liquidez do mercado de títulos, como nas recompras do Tesouro em março de 2020.

Entra em "Outras notícias" na cascata. Só um veículo noticiou, então vale metade. O efeito some até 10/01/2027.

Os indicadores

Seis sinais com pesos publicados antes da primeira conta. Cada um é comparado a um valor neutro e tem efeito máximo limitado. A coluna de pontos é a parte de cada um na chance de 12 meses.

IndicadorValorReferênciaPontos
Atividade (IBC-Br)
Média dos últimos 3 meses do IBC-Br dessazonalizado contra a média dos 3 meses anteriores. BCB, série 24364
−0,64 %ago/2026 +8,7
Juro real ex-ante
Selic meta descontada da inflação esperada para 12 meses (Focus, suavizada), comparada a um juro neutro de 5%. Hoje: Selic de 13,75% e inflação esperada de 4,53% (Focus de 23/10). BCB, série 432 e Focus
8,82 % a.a.28/10/2026 +5,8
Dívida pública
Variação da dívida bruta do governo geral em 12 meses. Hoje: 82,9% do PIB. BCB, série 13762
+5,56 p.p. do PIBago/2026 +3,5
Dívida das famílias
Comprometimento de renda das famílias com dívidas (dessazonalizado) menos a sua média dos últimos 36 meses. Hoje: 28,7% da renda. BCB, série 29034
+1,65 p.p.jul/2026 +3,1
Câmbio
Variação do dólar PTAX em cerca de 3 meses (63 dias úteis). Hoje: R$ 5,34. BCB, série 1 (PTAX)
+4,30 %28/10/2026 +1,2
Desemprego (regra de Sahm adaptada)
Média de 3 meses da desocupação da PNAD menos o menor valor dessa média nos 12 meses anteriores. IBGE/BCB, série 24369
+0,10 p.p.ago/2026 −1,1

Os dois lados

Os melhores argumentos de cada lado que as notícias sustentam, escritos para convencer quem pensa diferente. Atualizados em 28/10/2026.

Por mais crise

  1. O estresse de mercado não se dissipou: a bolsa voltou a cair 3% após a forte correção pós-eleição, e o dólar chegou a R$ 5,60. Condições financeiras apertadas por semanas costumam se transmitir para crédito e investimento.
    InfoMoney, Valor
  2. O crédito já está se fechando na ponta: um grande banco elevou o juro da casa própria de 11,69% para 15%, e as vendas de máquinas caem 13,4% no ano. Isso aponta para queda de investimento e construção, componentes que puxam recessões.
    Poder360, Valor
  3. Há várias pressões inflacionárias para 2027: CBS de 11,3%, ICMS maior sobre combustíveis e Fed com votos por alta. Isso dificulta cortes de juros num momento em que a CNI já revisa o PIB para baixo e a dívida para 83,7%.
    Valor, Gazeta do Povo, Valor

Por menos crise

  1. A economia ainda cresce: mesmo após a revisão, a CNI projeta alta de 1,6% do PIB em 2026, longe de contração. Para haver recessão técnica, seriam necessários dois trimestres seguidos de queda.
    Valor
  2. O choque externo não piorou: o Fed manteve os juros, como o mercado esperava, sem nova alta. Assim, o diferencial de juros que sustenta o real continua igual.
    Valor, InfoMoney
  3. O mercado de crédito privado funcionou no estresse: as taxas dos títulos isentos subiram menos que as dos títulos públicos e o spread caiu. O consumo de alimentos também cresce 6,5% em relação ao ano anterior.
    Valor, Agência Brasil

O próximo gatilho

O IBGE divulga o PIB do 3º trimestre de 2026 em 2 de dezembro. Com tudo mais igual, o risco vai para:

Um trimestre negativo já é metade de uma recessão técnica. Se vier positivo, a janela anda um trimestre e o risco quase não muda.

Histórico e placar

Cada atualização fica gravada e nunca é recalculada. Quem avalia o site são as previsões de 12 meses, que vencem uma a uma.

0×1×2×3×4×5×28/10/202627/11/2026
Risco de 12 meses, em vezes o normal1× = normal

Previsões de 12 meses registradas

Registrada emRecessão começando entreProbabilidadeVenceResultado
28/10/20263T26 e 2T2748%quando o IBGE divulgar o 3T27em aberto

O que diz o mercado

Mediana do Boletim Focus para o crescimento do PIB. O Focus é exibido como comparação e não entra na conta.

20262027202820292030
1,80%1,31%1,81%2,00%2,00%

Fonte: Banco Central, Focus, dados de 23/10/2026. O Focus não previu a recessão de 2015: em janeiro daquele ano, a mediana era de crescimento.

E até 2030?

A mesma conta, estendida até o 4º trimestre de 2030, dá 79% de chance de pelo menos uma recessão técnica até lá. Conforme o período histórico usado como âncora, fica entre 69% e 89%. É a pergunta que o site vai resolver em 2031, com a regra escrita antes da primeira conta: veja a metodologia.